O número de mortos nos incêndios que devastam a região sul da Austrália já chega a 135 nesta segunda-feira. A agência de notícias Reuters fala em ao menos 171 mortos no pior incêndio da história australiana, que segundo as autoridades, ainda não foi contido.
As chamas deixaram 750 imóveis destruídos e 340 mil hectares de terrenos devastados nos Estados de Victoria e Nova Gales do Sul. Os maiores danos, contudo, estão concentrados em Victoria, onde foram registradas as 135 vítimas.
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| Simon Mossman/Efe |
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| Igreja Anglicana de St. Peters foi reduzida a cinzas durante incêndio na Austrália |
As autoridades temem que o número de mortos passe de 200, pois há cerca de 100 desaparecidos e focos de incêndio fora de controle. O alto número de vítimas pode ser resultado, segundo a polícia, do pânico gerado pelos incêndios e a rápida propagação das chamas em meio a ventos de 96 km/h e temperaturas de cerca de 47 graus Celsius.
Os bombeiros encontraram corpos em 21 localidades, algumas das quais ficaram devastadas, como Kinglake, com 33 mortos, e Marysville, com 12.
A polícia bloqueou a passagem dos veículos a Marysville, no nordeste de Victoria, e indicou que há muitos corpos espalhados pelas ruas, segundo a agência de notícias AAP. Em uma casa da cidade mais afetada pelo fogo, Kinglake, norte de Melbourne, foram encontrados corpos calcinados de quatro crianças junto ao de um adulto.
Muitas das vítimas morreram dentro de seus carros quando tentavam fugir do avanço das chamas e outros morreram porque tentavam salvar suas casas.
O Hospital Alfred, de Melbourne, a capital de Victoria, atendeu, até o momento, 20 pessoas com queimaduras graves, e outras dez foram internadas na unidade de terapia intensiva.
Pelo menos 28 focos continuam ativos em Victoria. Contudo, os bombeiros estão preocupados com três pontos que ameaçam várias áreas habitadas: o de Churchill (sudeste), o de Beechworth (nordeste) e o de Taggerty (nordeste).
O Departamento de Defesa australiano enviou uma equipe especial de 200 membros dos Exércitos para participar das tarefas de contenção, que já contam com três mil bombeiros e milhares de voluntários.
Os Estados vizinhos Austrália do Sul, Tasmânia, o Território da Capital, Austrália Ocidental e Nova Gales do Sul também forneceram reforços, e, da Nova Zelândia, uma equipe de cem especialistas chegará em 24 horas.
Assassinato
| Rick Rycroft/AP |
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| Ovelhas procuram por grama fresca depois de incêndio que devastou 340 mil hectares |
À tristeza causada pelo drama se somou a indignação quando a polícia revelou que alguns incêndios podem ser de origem criminosa. O premiê australiano, Kevin Rudd, acusou os autores de “assassinos em massa”.
“O que se pode dizer sobre alguém assim? Não há palavras para descrevê-lo, é um assassino em massa”, afirmou pela televisão, visivelmente emocionado. “Isto alcançou um nível de horror que poucos poderiam ter antecipado.”
O Parlamento suspendeu as atividades para marcar o que o premiê classificou de “um dos dias mais negros” da Austrália em tempos de paz.
O premiê anunciou que o Exército instalará 600 tendas de campanha para acomodar temporariamente as pessoas deslocadas, enquanto os serviços sociais começaram a distribuir ajuda humanitária aos desabrigados.
Várias redes de supermercados destinarão a receita obtida em um dia às vítimas, enquanto o Serviço dos Correios doou 1 milhão de dólares australianos (R$ 1,5 milhão).
Somaram-se à campanha de solidariedade todos os governos estaduais da Federação da Austrália, assim como o governo da Nova Zelândia. O Exército de Salvação, que criou uma divisão especial para as vítimas, recebeu doações no valor de 2 milhões de dólares australianos (R$ 3 milhões) em menos de 24 horas.
“Isto é só o começo. Eu digo ao povo de Victoria que a Austrália está com vocês e vamos reconstruir as comunidades [destruídas]“, prometeu Rudd.
Desabrigados
Até agora, 5.000 pessoas se registraram como desabrigados, enquanto centenas decidiram se refugiar em seus carros ou em estabelecimentos comunitários.
Começam a surgir também atritos entre os deslocados e os corpos de segurança, pois alguns cidadãos querem voltar para casa para saber o que aconteceu e o que conseguiu se salvar.
O subdiretor da Polícia de Melbourne, Kieran Walshe, explicou que os deslocados só poderiam começar a voltar às suas residências assim que se tiver certeza de que não há mais mortos nos locais e até que os peritos e investigadores tenham coletado todas as provas das quais necessitam.
A polícia de Victoria acredita que vários dos incêndios foram provocados, e tratará todos os lugares devastados pelas chamas como cenários de um crime, mesmo que não tenham sido registradas mortes no local.
Em Nova Gales do Sul, um homem de 31 anos e um jovem de 15 foram acusados de ter provocado dois focos de incêndio.
Inundações
Enquanto no sudeste as chamas são combatidas, o norte do país registra fortes inundações devido a dez dias de chuvas intensas. No Estado de Queensland, três pessoas foram dadas como desaparecidas, entre elas uma criança de cinco anos.
Aproximadamente 60% do território de Queensland foram declarados zona de catástrofe, e o prejuízo chega a 187 milhões de dólares australianos (R$ 285,5 milhões).
Nesta segunda-feira, as autoridades informaram que as enchentes começam a diminuir, mas os meteorologistas preveem que as chuvas devem continuar por pelo menos mais uma semana.