Arquivo para Outubro, 2008

O FIM POLITICO DO EX-SENADOR NEY SUASSUNA

Posted in POLITICA com as tags on Outubro 29, 2008 by dell22

O prefeito reeleito de Campina Grande, Veneziano Vital (PMDB), sugeriu na tarde desta quarta-feira 29 a aposentadoria do ex-senador Ney Suassuna (também PMDB).

- Como empresário ele tem uma carreira sólida, mas como político, está na hora de se aposentar, disse Vital em entrevista a um programa de TV local.

O prefeito voltou a dizer que enfrentou um “rolo compressor” na disputa pela Prefeitura da cidade.

- Nós não temos como potencializar tudo o que verificamos, no que diz respeito ao aparelhamento estatal presente em Campina Grande, sobretudo, no dias últimos dias que antecederam a eleição do segundo turno, disse.

Uma parte desse rolo compressor, segundo Veneziano Vital, seria patrocinada pelo ex-senador.

- Ney Suassuna era o pessoa que trazia o dinheiro da Barra da Tijuca/RJ. Alguns diziam que ele vinha com malas de R$ 10 milhões para bancar a campanha, disse o prefeito, para quem a decisão do ex-senador apoiar o candidato adversário, Rômulo Gouveia (PSDB), foi atitude “lastimável”.

“FALTA DE TRABALHO” FAZ IMIGRACAO ILEGAL DESAPARECER DOS USA

Posted in NEWS com as tags on Outubro 28, 2008 by dell22

Houve uma queda significativa no número de imigrantes ilegais vindos do resto da América Latina e do Caribe, disse Passel. Essa população cresceu bastante na última década, passando de 1,8 milhões em 2000 para 3 milhões em 2007. Este ano, de acordo com o Pew Center, o número caiu para 2,6 milhões.

Autoridades da patrulha fronteiriça e grupos que defendem um controle mais rígido da imigração atribuem a tendência à crise e aos números recordes de fiscalização de postos de trabalho e de deportações.

Um porta-voz da agência de patrulha, Jason Cilberti, disse que os números recentes de prisões ao longo da fronteira sul do país apresentam uma queda, com as apreensões caindo 88% ao redor de Yuma, Arizona, e mais de 80% ao redor de El Paso, Texas.

Passel disse que o estudo do Pew Center não pretende explicar por que o fluxo de imigrantes ilegais diminuiu. Entretanto, ele especula que a tendência é uma combinação de fatores liderada pela fraca economia e o crescimento das taxas de desemprego na construção e nos serviços industriais, que conta com grande mão-de-obra ilegal.

Renda familiar

Outro estudo do Pew Center também divulgado na quinta-feira sobre a renda familiar descobriu que a média anual da renda em lares de não-cidadãos – mais da metade desses lares são de imigrantes ilegais – caiu 37,3% entre 2006 e 2007, enquanto a média geral foi de 1,3%.

Elaborador do estudo, Rakesh Kochhar disse que a queda na renda dos lares compostos por não-cidadãos foi mais forte nos lares formados por hispânicos, imigrantes do México, recém-chegados, homens sem esposa, sem segundo grau completo e aqueles que trabalham em empresas de construção, de produção ou de serviços.

“Se não há empregos, então ir para os EUA é um grande risco”, disse Jeffrey Devidow, presidente do Institute of Americas, com sede em San Diego.

Davidow e Passel concordam que uma ação policial mais rígida também contribuiu para tornar os Estados Unidos menos atraente para os imigrantes ilegais.
 
Uma pesquisa do Pew Center divulgada em setembro e realizada com 2.015 latinos mostrou que metade declarou que a vida havia piorado em 2007. Um em cada 10 disse que foi parado e questionado pela polícia sobre seus status de imigrante; e um em cada 10 declarou algum tipo de problema para encontrar um imóvel.

O relatório do Banco Central sugere que os efeitos dessas tendências estão sendo sentidas além da fronteira americana. Um relatório divulgado na quarta-feira pelo Banco Inter-Americano de Desenvolvimento, com sede em Washington, projetou uma queda no valor das remessas de dinheiro dos Estados Unidos para a América Latina e Caribe este ano, a primeira vez desde que o Banco começou o registro, em 2000.

No México, onde as remessas são a segunda maior fonte de renda estrangeira depois do petróleo, as autoridades projetam uma queda de 12% este ano.

Augusto de la Torre, economista do Banco Mundial, disse que pequenos aperfeiçoamentos em diversas economias latino-americanas, incluindo Brasil, Chile, Colômbia, Panamá e Peru, devem ter incentivado algumas pessoas da região a permanecerem perto de casa. 

“Pela primeira vez em uma década, há economias da América Latina melhores que as economias dos países ricos”, disse de la Torre. “Então, as pessoas que estavam pensando em ir para os Estados Unidos, devem se mudar para países da própria região.”

O MUNDO SE PREPARA PARA O PIOR EM 2009

Posted in ECONOMIA com as tags on Outubro 28, 2008 by dell22
Crise terá longa duração e magnitude inédita, afirma Mantega

28/10/2008 às 14:11 Aumentar tamanho da fonte Reduzir tamanho da fonte
 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje (28) que a crise terá longa duração e magnitude inédita. “Vamos ter um forte impacto na atividade econômica, na economia real, e no mundo todo vai desacelerar e isso está ficando nítido agora”.Mantega se disse impressionado como o travamento do crédito pode se transmitir rapidamente para a economia real. Ele lembrou que está prevista uma recessão e até uma retração econômica, que se espera, não se transforme em depressão.

“Esse é um desafio que têm os países avançados. O pacote de medidas adotadas nos Estados Unidos e na Europa apenas mitigou o problema. O problema da liquidez do crédito não está resolvido e portanto vai afetar seriamente a economia real”.

O ministro participa do 3º Encontro Nacional da Indústria (Enai), promovido em Brasília pela Confederação Nacional da Indústria (CNI

 

A CRISE é nos ESTADOS UNIDOS, e não no BRASIL

Posted in ECONOMIA com as tags on Outubro 28, 2008 by dell22

A crise é nos Estados Unidos e não  no Brasil, nós temos que nos desvincular-mos das bolsas Americanas e tocar-mos nosso desenvolvimento alimentado por outros mercados, não  podemos ficar-mos a deriva da crise que não  é nossa, as potencialidades economicas  Brasileiras, sao as melhores possives em todos os setores da economia. A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) registra a chamada “recuperação técnica” nos primeiros negócios desta terça-feira, após perdas acumuladas de 25,4% somente nos últimos cinco dias. Investidores operam em compasso de espera, aguardando as reuniões do Copom, no Brasil, e do Federal Reserve, nos EUA, marcadas para quarta-feira. Outro indicador importante também deixa o mercado ansioso: a revisão do PIB (Produto Interno Bruto) americano, previsto para quinta-feira.

Leia a cobertura completa da crise nos EUA
10 questões para entender o tremor na economia
Entenda a evolução da crise que atinge a economia dos EUA

Analistas afirmam que, além da alta das Bolsas internacionais, a valorização dos preços das commodities (matérias-primas) também pode ajudar a Bolsa brasileira: em Nova York (Nymex), o barril de petróleo se aproxima dos US$ 65, com avanço de 2,3%.

O Ibovespa, índice que reflete os preços das ações mais negociadas, valoriza 2,80% e alcança os 30.259 pontos. Ontem, a Bolsa fechou em forte queda de 6,50%, com quase metade do giro financeiro regular.

O dólar comercial é cotado a R$ 2,201 na venda, em forte declínio de 1,91% sobre a cotação de ontem. A taxa de risco-país marca 574 pontos, número 5,43% abaixo da pontuação anterior.

Os investidores voltaram às compras nas Bolsas asiáticas e européias, buscando recompor parte das fortes perdas registradas na jornada anterior. Em Tóquio, a Bolsa local fechou em alta de 6,4%, após ter recuado para seus níveis de 1982 na jornada de ontem. Na Europa, a Bolsa londrina avança 3,32%, enquanto o mercado de Frankfurt ganha 8,58%.

Entre as primeiras notícias do dia, o banco central inglês revelou uma estimativa para as perdas com a crise financeira: US$ 2,8 trilhões.

No setor corporativo, o grupo Santander anunciou lucro líquido de aproximadamente US$ 8,65 bilhões no período de janeiro a setembro, um resultado 5% superior ao ganho registrado para o acumulado de nove meses do ano passado. No Brasil, o grupo espanhol apurou ganhos de US$ 939 milhões, um avanço de 7,1% sobre 2007.

E na agenda econômica de hoje destaca-se a sondagem sobre a confiança do consumidor americano, um importante indicador sobre as expectativas de consumo. No Brasil, está prevista a divulgação da balança comercial.

Copom e Fed

Economistas do setor financeiro esperam que o Copom mantenha a taxa Selic em 13,75%, diante do turbulento cenário mundial. Nos EUA, a expectativa se concentra por um novo corte dos juros americanos, provavelmente de 1,50% ao ano para 1,25%.

GM, FIAT, HYUNDAY E CHRYSLER VAI FECHAR FABRICAS NOS USA

Posted in ECONOMIA com as tags on Outubro 27, 2008 by dell22

A montadora Chrysler, uma das mais conhecidas dos Estados Unidos, anunciou nesta quinta-feira planos para cortar 6% de sua força de trabalho no país, ou 1.825 vagas, refletindo a queda nas vendas decorrente da crise financeira global.

A Chrysler decidiu fechar uma fábrica no Estado de Ohio mais cedo do que estava prevendo e planeja mudanças em outra fábrica em Newark, no Estado de Delaware.

“Os mercados estão vivendo um turbilhão sem precedentes, e está na hora de mudanças históricas na indústria automotiva”, disse Frank Ewasyshyn, um dos vice-presidentes da companhia.

Além da Chrysler, outras montadoras divulgaram balanços e previsões nesta quinta-feira que reforçam a percepção de que o setor automobilístico vive uma de suas maiores crises.

GM, Hyundai e Fiat

Uma outra montadora americana, a General Motors, anunciou que vai cortar benefícios concedidos a empregados e estaria planejando cortar mais funcionários.

A empresa com sede em Detroit já havia anunciado neste ano um plano de reestruturação que levará ao fechamento de quatro fábricas até 2010.

A montadora coreana Hyundai disse que teve uma queda de 38% nos lucros durante o terceiro trimestre do ano.

A empresa já prevê vender menos veículos do que inicialmente previa neste ano, mas avalia que o bom desempenho de suas vendas de veículos compactos poderá ajudá-la a contornar piores resultados.

A alemã Daimler (que vendeu a maior parte de sua participação na Chrysler em maio deste ano) revelou ter registrado uma queda de 3% nas vendas no segundo trimestre deste ano.

Como a Daimler, a montadora italiana Fiat já prevê mais quedas nas vendas e no faturamento por causa da crise.

A previsão da Fiat é de que, no pior dos cenários, os lucros em 2009 caiam 65% e a demanda global por seus produtos caia de 10% a 20%.

Mas a montadora italiana teve motivos para comemorar a divulgação do balanço do terceiro trimestre. Os lucros da empresa aumentaram 8% –um desempenho atribuído à venda de máquinas agrícolas.

Segundo o analista da BBC Mark Gregory, carros novos sempre tendem a ser uma das primeiras coisas que os consumidores deixam de comprar em tempos de dificuldade econômica.

Além disso, com a atual crise, os consumidores têm um problema a mais: está mais difícil e caro obter financiamentos.

BRASIL MOSTRA QUE A ECONOMIA ESTA FORTE EM 2008

Posted in ECONOMIA com as tags on Outubro 21, 2008 by dell22

A arrecadação de impostos e contribuições cresceu 10,1% nos nove primeiros meses de 2008 e atingiu novo recorde. Mesmo com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), a Receita Federal arrecadou R$ 508,8 bilhões entre janeiro e setembro.

Somente no mês passado, foram R$ 55,663 bilhões, aumento de 8% em relação ao mesmo mês de 2007, valor recorde para meses de setembro, considerando dados corrigidos pelo índice oficial de inflação (IPCA).

Em termos relativos, o imposto cuja arrecadaç

A arrecadação de impostos e contribuições cresceu 10,1% nos nove primeiros meses de 2008 e atingiu novo recorde. Mesmo com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), a Receita Federal arrecadou R$ 508,8 bilhões entre janeiro e setembro.

Somente no mês passado, foram R$ 55,663 bilhões, aumento de 8% em relação ao mesmo mês de 2007, valor recorde para meses de setembro, considerando dados corrigidos pelo índice oficial de inflação (IPCA).

Em termos relativos, o imposto cuja arrecadação mais cresceu no ano foi o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que teve suas alíquotas elevadas para compensar o fim da CPMF. A arrecadação subiu 151,4% e chegou a R$ 15,3 bilhões no acumulado do ano.

Em valores absolutos, o principal responsável pela arrecadação recorde foi o Imposto de Renda (pessoa física, empresas e retido na fonte), que respondeu por 28,3% do total. Foram arrecadados R$ 143,9 bilhões, sendo R$ 67 bilhões somente das empresas.

A Receita vem justificando os sucessivos recordes alcançados neste ano com base no aumento do lucro das empresas e no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).

A segunda maior arrecadação ficou com a Cofins (R$ 91 bilhões), aumento de 13,5% sobre o ano passado.

As receitas da Previdência, que respondem por cerca de 25% da arrecadação, cresceram 11,7% no ano e chegaram a R$ 128,9 bilhões.

 mais cresceu no ano foi o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que teve suas alíquotas elevadas para compensar o fim da CPMF. A arrecadação subiu 151,4% e chegou a R$ 15,3 bilhões no acumulado do ano.

Em valores absolutos, o principal responsável pela arrecadação recorde foi o Imposto de Renda (pessoa física, empresas e retido na fonte), que respondeu por 28,3% do total. Foram arrecadados R$ 143,9 bilhões, sendo R$ 67 bilhões somente das empresas.

A Receita vem justificando os sucessivos recordes alcançados neste ano com base no aumento do lucro das empresas e no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).

A segunda maior arrecadaç

A arrecadação de impostos e contribuições cresceu 10,1% nos nove primeiros meses de 2008 e atingiu novo recorde. Mesmo com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), a Receita Federal arrecadou R$ 508,8 bilhões entre janeiro e setembro.

Somente no mês passado, foram R$ 55,663 bilhões, aumento de 8% em relação ao mesmo mês de 2007, valor recorde para meses de setembro, considerando dados corrigidos pelo índice oficial de inflação (IPCA).

Em termos relativos, o imposto cuja arrecadação mais cresceu no ano foi o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que teve suas alíquotas elevadas para compensar o fim da CPMF. A arrecadação subiu 151,4% e chegou a R$ 15,3 bilhões no acumulado do ano.

Em valores absolutos, o principal responsável pela arrecadação recorde foi o Imposto de Renda (pessoa física, empresas e retido na fonte), que respondeu por 28,3% do total. Foram arrecadados R$ 143,9 bilhões, sendo R$ 67 bilhões somente das empresas.

A Receita vem justificando os sucessivos recordes alcançados neste ano com base no aumento do lucro das empresas e no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).

A segunda maior arrecadação ficou com a Cofins (R$ 91 bilhões), aumento de 13,5% sobre o ano passado.

As receitas da Previdência, que respondem por cerca de 25% da arrecadação, cresceram 11,7% no ano e chegaram a R$ 128,9 bilhões.

 ficou com a Cofins (R$ 91 bilhões), aumento de 13,5% sobre o ano passado.

As receitas da Previdência, que respondem por cerca de 25% da arrecadação, cresceram 11,7% no ano e chegaram a R$ 128,9 bilhões.

A VERDADE SOBRE A CRISE DOS ESTADOS UNIDOS

Posted in ECONOMIA com as tags on Outubro 14, 2008 by dell22

 As crises não são novidade no campo da economia. O que vivemos e uma crise produzida por falta de  entendimentos, os conceitos humanitários ficarão a parte de todo processo de produção do capital, dando lugar a mais violenta ambição dos mercados financeiros, que por sua vez, perderam por completo a medida do ter. No caso dos Estados Unidos, o mercado estagnado de venda de casas, fez com que os corretores  começassem a venderem casas a milhões de indocumentados ( trabalhadores imigrantes) numa irresponsabilidade jamais vista, se a reforma imigratoria tivesse sido aprovada em 2006, o mundo estaria respirando melhor, mais a reforma não passou e os indocumentados não tinhão mais como pagarem suas casas, pelo simples motivos de não poderem mais trabalhar, e  quando trabalhavam, erão escravisados com salários abaixo da realidade Americana. Quero deixar claro, que não sou comunista, acredito na lei de mercado, mais com a regulamentação do mercado financeiro, e com a pratica socialista de divisão de renda e da riqueza. 

Mas as crises não são novidade no campo da economia. O pensador Karl Marx (1818-83) formulou algumas idéias sobre crises, medidas de valorização do capital e até sobre o comércio exterior e o mercado de ações, que podem ser encontradas em obras como “O Capital” e “Teorias da Mais-Valia”.

No capítulo “Crises e Finanças”, do livro “Folha Explica – Karl Marx”, editado pela Publifolha, o autor Jorge Grespan explica de forma clara e sucinta o pensamento de Marx sobre crises econômicas. Leia abaixo trecho do capítulo do livro.

*

CRISES E FINANÇAS

Durante muito tempo, Marx foi um dos raros autores que se preocupou com o fenômeno das crises econômicas, considerando-as inevitáveis e inerentes ao sistema capitalista. A maioria dos economistas insistia na capacidade harmonizadora do mercado, relegando as crises a um segundo plano, como algo apenas casual e externo. Outros – mais respeitados por Marx, como Ricardo ou o suíço Sismonde de Sismondi (1773-1842) – até reconheciam a importância delas, mas as concebiam como um limite com o qual o sistema econômico deveria saber lidar. Depois, até em todo o século 20, registra-se um movimento pendular entre fases de predomínio teórico do harmonicismo e fases em que crises violentas, como a de 1929 ou a dos anos 1970, forçaram a incorporação delas ao pensamento econômico aceito pela tradição acadêmica e de instituições oficiais.

Mesmo nesse caso, contudo, as crises se revestem de um caráter funcional, entendidas como mal necessário ou como crises de crescimento, ou ainda, na melhor das hipóteses, como indicadores da incapacidade do setor privado resolver seus problemas sem a intervenção do Estado.

Na teoria de Marx, por outro lado, elas revelam a emergência da dimensão negativa de um sistema marcado pela contradição. Ao contrário do pensamento econômico tradicional, aqui a crise está intimamente associada à crítica. Mas não a uma crítica subjetiva de alguém que analisa de fora e condena, e sim a uma crítica objetiva: desnudando a dimensão negativa no mau funcionamento do sistema, indica-se como o próprio sistema realiza uma espécie de autocrítica. Se o capital é valor que se valoriza, os momentos em que ele desvaloriza o valor existente de maneira inevitável, comprometendo assim a base de seu crescimento, são momentos em que ele mesmo se contradiz, negando as condições de sua existência.

Dito desse modo parece pouco problemático. Mas a teoria das crises de Marx permitiu leituras diversas e conflitantes até entre seus seguidores. Houve quem as atribuísse a meros desequilíbrios entre os setores da economia, ou a uma incapacidade crônica da produção criar mercados, devido às condições antagônicas da distribuição dos produtos no capitalismo; houve ainda os que as circunscreviam ao âmbito financeiro, como se o da produção já não fosse contraditório.

A controvérsia surgiu da forma complexa de apresentação das categorias na teoria de Marx. Há passagens que justificam uma ou outra das interpretações, e na seqüência a desacreditam. O problema pode ser equacionado, no entanto, levando-se em conta o todo da obra e, principalmente, o projeto de Marx desdobrar cada forma do sistema como resultado da negatividade das formas anteriores, indo do mais geral ao mais específico e intrincado.

Em primeiro lugar, então, é preciso retomar o aspecto geral. No final do capítulo 3 foi citado um texto que pode servir muito bem nesse sentido: “O capital é trabalho morto, que apenas se reanima, à maneira dos vampiros, sugando trabalho vivo e que vive tanto mais quanto mais trabalho vivo suga”. Vimos como essa passagem sintetiza bem a contradição constitutiva do capital em sua relação com a força de trabalho. Mas um aspecto central deve agora ser acrescentado. É que, ao comprar e incorporar a força de trabalho, o capital está também se apropriando da capacidade de medir o valor, que o trabalho abstrato possui numa sociedade de troca de mercadorias. O capital adquire com isso não só a propriedade de se valorizar como a de medir essa valorização; ele se valoriza e se mede.

Mas a sua relação com a mensuração é contraditória, como também sua relação com a valorização, porque ambas derivam da oposição entre capital e trabalho. Ao mesmo tempo que integra a força de trabalho, o capital também precisa negá-la, substituindo-a por máquinas; ou seja, ao mesmo tempo que adquire a capacidade de se medir, o capital reitera que essa capacidade pertence a um agente que ele mesmo põe como seu oposto. Perde então as suas medidas.

Em todos os níveis da apresentação das categorias de O Capital, aparece essa determinação contraditória da medida e da desmedida. É por ela que vão se definindo em cada nível os distintos conceitos de crise. Se algum deles for isolado dos demais, pode parecer que oferece a única definição possível, invalidando as outras – caminho seguido por grande parte das intérpretes de Marx. Mas, de fato, também o conceito de crise obedece à forma da apresentação que vai do mais geral ao mais complexo, também ele vai enriquecendo seu conteúdo junto com o conceito de capital.

Marx faz questão de indicar a possibilidade de crise já no nível da produção e circulação de mercadorias, refutando qualquer pretensão de que o mercado pudesse ser sempre harmônico. Aqui, a medida aparece na passagem fluida entre compras e vendas, quando há correspondência entre as quantidades do que se produz e do que se demanda; a desmedida, ao contrário, é quando não ocorre tal correspondência, interrompendo o movimento.

A forma desse movimento é descrita por Marx em termos que valem também para as fases seguintes da apresentação: “[] o percurso de um processo através de duas fases opostas, sendo essencialmente, portanto, a unidade das duas fases, é igualmente a separação das mesmas e sua autonomização uma em face da outra. Como elas então pertencem uma à outra, a autonomização [] só pode aparecer violentamente, como processo destrutivo. É a crise, precisamente, na qual a unidade se efetua, a unidade dos diferentes”.

A compra e a venda de mercadorias, em primeiro lugar, são as “fases opostas” do processo em que se vende para comprar. Como se realizam pela mediação do dinheiro, elas assim se “separam e autonomizam uma em face da outra”, podendo não coincidir. Mas a crise não assinala simplesmente o momento negativo, da não coincidência, e sim a impossibilidade de que essa situação permaneça por muito tempo.

Como as fases de compra e venda se diferenciaram por força de um processo único, que dialeticamente tem de se realizar mediante sua diferenciação em duas fases, chega um momento em que essa autonomia não pode prosseguir. A unidade do processo se afirma, mas como reação violenta à autonomização das fases. No mercado como um todo, a discrepância possível entre compras e vendas precisa ser corrigida e, quando isso acontece, verifica-se a incompatibilidade entre os valores daquilo que se comprou e agora tem de pagar com o dinheiro de uma venda que pode não ocorrer. Segue-se um ajuste violento de contas, e valores simplesmente desaparecem.

Essa forma geral da crise se reapresenta quando a finalidade é definida pelo capital como a de “comprar para vender”. A discrepância ocorre no mercado de trabalho, ou nas compras e vendas recíprocas dos vários setores em que se divide a produção entre os capitalistas, ainda mais considerando que tudo isso se realiza pela concorrência. A discrepância de valores significa então que alguns terão prejuízo, talvez grande, vindo a falir. Parte do capital existente se desvaloriza, negando o próprio conceito de valor que se valoriza.

  

Mas as crises não são novidade no campo da economia. O pensador Karl Marx (1818-83) formulou algumas idéias sobre crises, medidas de valorização do capital e até sobre o comércio exterior e o mercado de ações, que podem ser encontradas em obras como “O Capital” e “Teorias da Mais-Valia”.

No capítulo “Crises e Finanças”, do livro “Folha Explica – Karl Marx”, editado pela Publifolha, o autor Jorge Grespan explica de forma clara e sucinta o pensamento de Marx sobre crises econômicas. Leia abaixo trecho do capítulo do livro.

EUROPA TORNA-SE CENTRO DA ECONOMIA MUNDIAL

Posted in ECONOMIA com as tags on Outubro 13, 2008 by dell22

Os bancos centrais da Europa anunciaram nesta segunda-feira que proporcionarão quantidades ilimitadas de créditos em dólares em períodos compreendidos entre uma semana e 84 dias.

O BCE (Banco Central Europeu), o Banco da Inglaterra e o SNB (Swiss National Bank) oferecerão empréstimos em dólares para períodos de sete, 28 e 84 dias “a juros fixos”, afirma o BCE em um comunicado.

“Os bancos poderão pegar empréstimos no valor que quiserem com estas operações”, indicou a instituição européia, com sede em Frankfurt [oeste da Alemanha], que pretende enviar assim uma mensagem forte e positiva aos mercados.

Como conseqüência, a quantia dos acordos de “swap” entre o Federal Reserve (Fed, o BC americano) e os bancos centrais europeus –que servem para emprestar dinheiro entre eles– aumentará para ser adaptada à quantidade de dólares solicitada pelos bancos, conforme indicou o BCE.

“Os bancos centrais continuarão trabalhando conjuntamente e estão dispostos a adotar todas as medidas necessárias para conceder dinheiro suficiente aos mercados”, disse o BCE.

Na semana passada, o banco havia decidido, de forma coordenada, com seus cinco correspondentes, um corte de meio ponto das taxas de juros, numa tentativa de conter a queda vertiginosa dos mercados financeiros e restabelecer a confiança dos bancos, que se negam a empestar dinheiro entre eles.

Apesar de seu caráter espetacular, este gesto não bastou para tranqüilizar as Bolsas nem para reduzir a tensão no mercado interbancário.

Desta vez, o BCE explicou que lançará toda quarta-feira, a partir de 15 de outubro, e por um período de sete dias, uma operação em dólares a taxa fixa.

O banco procederá a este tipo de operações com durações mais amplas, de um a três meses, conforme um calendário publicado dia 7 de outubro com outros grandes bancos centrais, entre eles o Fed.

A instituição européia prosseguirá, além disso, enquanto for necessário, com as injeções de dólares a muito curto prazo (24 horas) que já vem realizando diariamente desde o início da crise.

As medidas em dólares se somam a todas as operações em euros realizadas pelo BCE, de forma regular ou excepcional.

O conjunto do dispositivo se manterá pelo menos até janeiro de 2009.

ENTENDA: a crise de 1929, e a Grande Depressão

Posted in HISTORIA com as tags on Outubro 10, 2008 by dell22

       A crise de 1929=A Grande Depressão, também chamada por vezes de Crise de 1929, foi uma grande recessão econômica que teve início em 1929, e que persistiu ao longo da década de 1930, terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial. A Grande Depressão é considerada a pior e o mais longo período de recessão econômica do século XX. Este período de recessão econômica causou altas taxas de desemprego, quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países, bem como quedas drásticas na produção industrial, preços de ações, e em praticamente todo medidor de atividade econômica, em diversos países no mundo.

O dia 29 de outubro de 1929 é considerado popularmente o início da Grande Depressão. Porém, as taxas na queda da produção industrial americana já haviam começado a cair a partir de julho do mesmo ano, causando um período de leve recessão econômica que estendeu-se até 29 de outubro, quando valores de ações na bolsa de valores de Nova Iorque, a New York Stock Exchange, caíram drasticamente, desencadeando a Quinta-Feira Negra. Assim, milhares de acionistas perderam, literalmente, da noite para o dia, grandes somas em dinheiro. Muitos perderam tudo o que tinham. Esta quebra na bolsa de valores de Nova Iorque piorou drasticamente os efeitos da recessão já existente, causando grande deflação e queda nas taxas de venda de produtos, que por sua vez obrigaram o fechamento de inúmeras empresas comerciais e industriais, elevando assim drasticamente as taxas de desemprego.

Os efeitos da Grande Depressão foram sentidos no mundo inteiro. Estes efeitos, bem como sua intensidade, variaram de país a país. Outros países, além dos Estados Unidos, que foram duramente atingidos pela Grande Depressão foram a Alemanha, Austrália, França, Itália, o Reino Unido e especialmente o Canadá. Porém, em certos países pouco industrializados à época, como a Argentina e o Brasil, a Grande Depressão acelerou o processo de industrialização.

Os efeitos negativos da Grande Depressão atingiram seu ápice nos Estados Unidos em 1933. Neste ano, o Presidente americano Franklin Delano Roosevelt aprovou uma série de medidas conhecidas como New Deal. O New Deal, juntamente com programas de ajuda social realizados por todos os estados americanos, ajudaram a minimizar os efeitos da Depressão a partir de 1933. A maioria dos países atingidos pela Grande Depressão passaram a recuperar-se economicamente a partir de então. Em alguns países, a Grande Depressão foi um dos fatores primários que levaram à ascensão de regimes de extrema-direita, como os nazistas comandados por Adolf Hitler na Alemanha. O início da Segunda Guerra Mundial terminou com qualquer efeito remanescente da Grande Depressão nos principais países atingidos.Causas da Grande Depressão=Economistas, historiadores e cientistas políticos têm criado diversas teorias para a causa, ou causas, da Grande Depressão, com supreendente pouco consenso. A Grande Depressão permanece como um dos eventos mais estudados da história da economia mundial. Teorias primárias incluem a quebra da bolsa de valores de 1929, a decisão de Winston Churchill em fazer com que o Reino Unido passasse a usar novamente o padrão-ouro em 1925, que causou massiva deflação ao longo do Império Britânico, o colapso do comércio internacional, a aprovação do Ato da Tarifa Smoot-Hawley, que aumentou os impostos de cerca de 20 mil produtos no país, a política da Reserva Federal dos Estados Unidos da América, e outras influências.

Segundo teorias baseadas na economia capitalista concentram-se no relacionamento entre produção, consumo e crédito, estudado pela macro-economia, e em incentivos e decisões pessoais, estudado pela micro-economia. Estas teorias são feitas para ordenar a sequência dos eventos que causaram eventualmente a implosão do sistema monetário do mundo industrializado e suas relações de comércio. Já teorias baseadas na economia marxistas concentram-se no relacionamento do controle da produção e da concentração de renda. Para os marxistas, a Grande Depressão é o tipo de crise a que o capitalismo é vulnerável, e ocorrências deste tipo não são surpreendentes.

Outras teorias heterodoxas sobre a Grande Depressão foram criadas, e gradualmente estas teorias passaram a ganhar credibilidade. Estas teorias incluem a teoria da atividade de longo ciclo e que a Grande Depressão foi um período na intersecção da crista de diversos longos e concorrentes ciclos.

Mais recentemente, a teoria mais prevalescente entre economistas é que a Grande Depressão não foi causada primariamente pela quebra das bolsas de valores de 1929, alegando que diversos sinais na economia americana, nos meses e mesmo anos que precederam à Grande Depressão, já indicavam que esta Depressão já estava a caminho nos Estados Unidos e na Europa. Atualmente, a teoria mais aceita entre os economistas é de Peter Temin. Segundo Temin, a Grande Depressão foi causada por política monetária catastroficamente mal-planejada pela Reserva Monetária dos Estados Unidos da América nos anos que precederam a Grande Depressão. A política de reduzir as reservas monetárias foi uma tentativa de reduzir uma suposta inflação, que de fato somente agravou o principal problema na economia americana à época, a deflação.
Quebra na Bolsa de Valores de Nova Iorque=Em 24 de outubro de 1929, os preços das ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque caíram subitamente. Estes preços estabilizaram-se ao longo do final de semana, para caírem drasticamente novamente na segunda feira, 28 de outubro. Muitos acionistas passaram a entrar em pânico. Cerca de 16,4 milhões de ações subitamente entraram à venda na terça feira, 29 de outubro, dia atualmente conhecido como Quinta-Feira Negra. O excesso de ações à venda e a falta de compradores fizeram com que os preços destas ações caísse em cerca de 80%. Com isto, milhares de pessoas perderam grandes somas em dinheiro. Os preços destas ações continuaria a flutuar, caindo gradativamente nos próximos três anos. As milhares de pessoas que tinham todas as suas riquezas na forma de ações eventualmente perderiam tudo o que tinham.

A súbita quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque causou grande incerteza entre a população americana, quanto ao futuro do país. Muitos decidiram cortar gastos supérfluos. Outras pessoas, aquelas que haviam comprado produtos através de empréstimo e prestações, reduziram ainda mais seus gastos, e assim poder economizar dinheiro para efetuar seus pagamentos. A súbita queda nas vendas do setor comercial americano estendeu a recessão ao setor industrial e comercial dos Estados Unidos.

As altas taxas de juros dos Estados Unidos foram um dos fatores que estenderem a Grande Depressão à Europa. Os países europeus – especialmente aqueles que utilizavam-se do padrão-ouro, para manter um câmbio fixo com os Estados Unidos, foram obrigados a aumentarem drasticamente suas próprias taxas de juros, o que levou à redução de gastos por parte dos comerciantes e habitantes destes países, que levou à quedas na produção industrial destes países.

A economia dos Estados Unidos da América entrou em uma fase de grande recessão econômica que perduraria até 1933. Até este ano, a economia dos Estados Unidos somente colapsaria. Durante este período, milhares de estabelecimentos bancários, financeiros, comerciais e industriais foram fechados. Outros foram obrigados a demitirem parte de seus trabalhadores e/ou a reduzir salários em geral.A Grande Depressão nos Estados Unidos da América=Com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque de 1929, bancos e investidores perderam grandes somas em dinheiro. A situação dos bancos era agravada pelo fato que muitos destes bancos haviam emprestado grandes somas de dinheiro a fazendeiros. Após o início da Grande Depressão, porém, estes fazendeiros tornaram-se incapazes de pagar suas dívidas. Isto, por sua vez, causou a queda dos lucros destas instituições financeiras. Pessoas que utilizavam-se de bancos, temendo uma possível falência destas, removeram seus fundos destes bancos. Assim, várias instituições bancárias foram fechadas. O total de instituições bancárias fechadas durante a década de 1920 e de 1930 foi de 14 mil.

Em 17 de maio de 1930, o governo dos Estados Unidos aprovou uma lei, o Ato Tarifário Smoot-Hawley, que aumentava as tarifas alfandegárias em cerca de 20 mil itens não-perecíveis estrangeiros. O Presidente americano Herbert Hoover pedira ao Congresso uma diminuição nos impostos, mas o Congresso, ao invés disto, votou a favor do aumento dos impostos. Um abaixo-assinado, assinado por mil economistas, pediu ao presidente americano rejeitar este aumento. Apesar disto, Hoover assinou o Ato em 17 de maio. O Congresso e o Presidente acreditavam que isto iria reduzir a competição de produtos estrangeiros no país. Porém, outros países reagiram através da aprovação de leis e atos semelhantes, assim causando uma queda súbita nas exportações americanas. As taxas de desemprego subiram de 9% em 1930 para 16% em 1931, e 25% em 1933. Durante a década de 1930, a taxa de desemprego nos Estados Unidos não retornaria mais às taxas de 9% de 1930, se mantendo em perto da casa dos 20%.

Com o crescente fechamento de instituições bancárias, menos fundos estavam disponíveis no mercado americano, fazendo com que a queda na produção industrial americana continuasse a cair. Em 1929, o valor total dos produtos industrializados fabricados nos Estados Unidos foi de 104 bilhões de dólares. Em 1933, este valor havia caído para 56 bilhões, uma queda de aproximadamente 45%. A produção de aço caiu em cerca de 61%, entre 1929 e 1933, e a produção de automoveís caiu em cerca de 70% no mesmo periodo.

1933 foi o ápice da Grande Depressão nos Estados Unidos da América. As taxas de desemprego eram de 25% (ou um quarto de toda a força de trabalho americana). Cerca de 30% dos trabalhadores que continuaram nos seus empregos foram obrigados a aceitarem reduções em seus salários, embora grande parte dos trabalhadores empregados tenham tido um aumento nos seus salários por hora. Outro problema enfrentado foi a grande deflação – queda do preço dos produtos e custo de vida em geral. Entre 1929 e 1933, os preços dos produtos industrializados não-pericíveis em geral nos Estados Unidos caíram em cerca de 25%. Já o preço de produtos agropecuários caiu em cerca de 50%, por causa do excedente da produção destes produtos – primariamente trigo. A quantidade destes produtos à venda excedia facilmente a demanda, o que causou uma queda dos preços destes dados produtos. Os baixos preços levaram ao endividamento de muitos destes fazendeiros.
Combate à Grande Depressão e o fim da recessão nos EUA=O Presidente americano Herbert Hoover acreditava que o comércio, se não supervisionado pelo governo, iria eventualmente minimizar os efeitos da recessão econômica. Eventualmente, Hoover acreditava, a economia dos Estados Unidos iria recuperar-se, sem que a interveção do governo americano na economia do país fosse necessária. Hoover rejeitou diversas leis aprovadas pelo Congresso, alegando que davam ao governo americano poderes demais.

Hoover também acreditava que os governos dos estados americanos deveriam ajudar os necessitados. Muitos destes estados, porém, não tinham fundos suficientes para tal. Assim sendo, Hoover propôs a criação de um órgão governamental, o Reconstruction Finance Corportation (Coorperação de Reconstrução Financeira), ou RFC, em 1932. Este órgão seria responsável por fornecer alguma ajuda financeira a empresas e instituições comerciais e industriais chave, como bancos, ferrovias e grandes empresas, acreditando que a falência destas instituições agravaria o efeito da Grande Depressão. No final de 1932, as eleições presidenciais americanas foram realizadas. Os dois principais candidatos foram Hoover e Franklin Delano Roosevelt. Muito da população americana acreditava que Hoover fora o principal causador da recessão, e/ou que pouco fizera para solucionar esta recessão. Roosevelt saiu-se vencedor da eleição, tornando-se Presidente dos Estados Unidos em 4 de março de 1933.

Roosevelt, ao contrário de Hoover, acreditava que o governo americano era a principal responsável para lutar contra os efeitos da Grande Depressão. Em uma sessão legislativa especial, sessão conhecida como Hundred Days (“Cem Dias”), Roosevelt, juntamente com o congresso americano, criaram e aprovaram uma série de leis que, por insistência do próprio Roosevelt, foram nomeadas de New Deal (“Novo Acordo”). Estas leis forneceriam ajuda social às famílias e pessoas que necessitassem, forneceriam empregos através de parcerias entre o governo, empresas e os consumidores, e reformou o sistema econômico e governamental americano, de modo a evitar que uma recessão deste gênero ocorresse futuramente.
Diversas agências governamentais foram criadas para administrar os programas de ajuda social. A mais importante delas foi a Federal Agency Relief Administration, criada em 1933, que seria responsável pelo fornecimento de fundos aos governos estatais, para que estes empregassem estes fundos em programas de ajuda social. Outros órgãos governamentais similares foram criados com o intuiro de fundear, administrar e/ou empregar trabalhadores na área de construção de aeroportos, escolas, hospitais, pontes e represas. Estes projetos federais forneceram milhões de empregos aos necessitados, embora as taxas de desemprego continuassem altas durante toda a década de 1930.

Outros órgãos foram criados com o intuito de admistrar programas de recuperação, como a Agricultural Adjustment Administration, criada em 1933 com o intuito de regular a produção de produtos agropecuários em uma dada fazenda. Outro órgão similar, o National Recovery Administration, criada em 1933, passou a enforçar leis anti-monopólio, estabeleceu salários mínimos e limites na carga horária de trabalho. Esta última agência, porém, foi fechada a mando do Congresso, em 1935, por pouco estimular o comércio americano.

Por fim, outros órgãos federais foram criados com o intuito de supervisionar reformas trabalhistas e financeiras. O Federal Deposit Insurance Corporation foi criado em 1933 com o intuito de promover transações e o comércio bancário. O Securities and Exchange Commission, criado em 1934, regulava o comércio de bolsa de valores e evitar com que acionistas comprassem ações que o órgão considerassem “perigosas”. O National Labor Relations Board foi criado em 1935, com o intuito de regular sindicatos, e de proteger os trabalhadores e seus direitos. Ainda em 1935, um ato do governo americano, o Ato da Segurança Civil passou a fornecer pensões mensais para aposentados, bem como ajuda financeira regular por um certo período de tempo, para pessoas desempregadas.

O New Deal ajudou a minimizar os efeitos da Grande Depressão nos Estados Unidos da América. A economia americana gradualmente, mas lentamente, passou a recuperar-se, desde 1933. O governo americano também diminiu as tarifas alfandegárias em certos produtos estrangeiros, assim estimulando o comércio doméstico. Ao longo da década de 1930, os Estados Unidos gradualmente abandonaram o uso do padrão-ouro, decidindo ao invés disso, fortalecer a moeda nacional, o dólar, o que também ajudou na recuperação da economia americana. A produção de comodidades tais como automóveis voltaria aos patamares de 1929, porém, somente após o fim da guerra, como a produção de automóveis, por exemplo 1949 – a maior parte da matéria-prima à época possuía prioridade pela indústria bélica nacional.

Porém, apesar dos programas governamentais criados com o intuito de reduzir o desemprego, cerca de 15% da força de trabalho americana continuava desempregado em 1940. Foi necessário a entrada do país na Segunda Guerra Mundial para que as taxas de desemprego caíssem aos níveis de 1930, de 9%. A entrada do país na guerra acabou com os efeitos negativos da Grande Depressão, e a produção industrial americana cresceu drasticamente, e as taxas de desemprego caíram. No final da guerra, apenas 1% da força de trabalho americana estava desempregado. Perto do final da guerra, os Estados Unidos e todos os outros 44 países Aliados assinaram o que é conhecido como os Acordos de Bretton Woods, com o intuito de evitar futuramente uma nova crise monetária e econômica da escala da Grande Depressão.A Grande Depressão em outros países=A Grande Depressão causou grande recessão econômica em diversos outros países que não os Estados Unidos da América. Em muito destes países, a recessão provocada pela Grande Depressão gerou efeitos similares na economia destes países, como o fechamento de milhares de estabelecimentos bancários, financeiros, comerciais e industriais, e a demissão de milhares de trabalhadores.

Os efeitos da Grande Depressão em vários países foram agravados pelo Ato Tarifário Smoot-Hawley, um ato americano introduzido em 1930, que aumentava impostos a cerca de 20 mil produtos não-pericíveis estrangeiros, que causou a aprovação de leis e atos semelhantes em outros países, reduzindo drasticamente exportações e o comércio internacional.

Em vários dos países afetados, partidos políticos extremistas, de caráter nacionalista, apareceram. Outros partidos políticos, de cunho comunista, também foram criados. No Reino Unido, por exemplo, tanto o Partido Comunista quanto o Partido Facista britânico receberam considerável suporte popular. O mesmo ocorreu com o Partido Comunista canadense.

Outros partidos políticos menos extremistas também surgiram. A grande maioria, se não todos, prometiam retirar o país (ou uma dada província/estado) da recessão. O Partido do Crédito Social do Canadá, de cunho conservador ganhou grande suporte popular em Alberta, província canadense severamente afetada pela Grande Depressão. Em alguns destes países, partidos extremistas foram proibidos, como no Canadá. Outros partidos políticos extremistas, porém, conseguiram chegar ao poder, notavelmente os nazistas na Alemanha e os facistas na Itália.
Canadá=Entre a década de 1900 e a década de 1920, o Canadá possuía a economia em mais rápido crescimento do mundo, tendo passado por apenas um período de recessão após a Primeira Guerra Mundial. Ao contrário dos Estados Unidos da América, onde o crescimento exuberante da economia americana era em grande parte apenas ilusório, a economia do Canadá prosperou verdadeiramente durante a década de 1920. Enquanto a indústria imobiliária dos Estados Unidos havia estagnado em volta de 1925, esta indústria continuou forte no Canadá até maio de 1929. O mesmo podia se dizer da indústria agropecuária, que ao longo da década de 1920 esteve em pleno crescimento no Canadá, enquanto nos Estados Unidos este setor entrara em recessão econômica.

O principal produto de exportação do Canadá, à época, era o trigo. Este produto era então um dos pilares da economia do país. Em 1922, o Canadá era o maior exportador de trigo do mundo, e Montréal era o maior centro portuário exportador de trigo do mundo. Entre 1922 e 1929, o Canadá foi responsável por 40% de todo o trigo comercializado no mundo. As exportações de trigo ajudaram a fazer do Canadá um dos líderes mundiais do comércio internacional, com mais de um terço de seu produto interno bruto tendo origem no comércio internacional.

O sucesso do trigo canadense era baseada, porém, em problemas que afligiam outros países no mundo. A Primeira Guerra Mundial devastou a produção agropecuária dos países europeus. Mais importante foi, porém, a Revolução Russa de 1917, que manteve o trigo russo fora do mercado mundial. Em torno de 1925, a gradual recuperação da economia e da agropecuária da Europa Ocidental, bem como uma nova política econômica na Rússia, fez com que a produção mundial de trigo aumentasse no mundo, assim diminuindo os preços do produto. Esperando por um rápido retorno aos altos preços, os fazendeiros e comerciantes canadenses estocaram muito de seu trigo, ao invés de reduzirem sua produção. A introdução de maquinário, especialmente o trator, levou ao crescimento da produção de trigo tanto no Canadá quanto nos Estados Unidos. Todos estes fatores em conjunto desencadearam um colapso dos preços do trigo em junho de 1929, destruído a economia de Alberta, Saskatchewan e Manitoba, e afetando severamente a economia de Ontário e Quebec.

A parte dos Estados Unidos da América, o Canadá foi o país mais duramente atingido pela Grande Depressão. O Canadá, ainda oficialmente parte do Império Britânico, usava ativamente o padrão-ouro. Isto, aliado com os estreitos laços econômicos existentes entre o Canadá e os Estados Unidos (muito dos produtos fabricados no Canadá eram exportados para os Estados Unidos, por exemplo), fez com que o colapso da economia americana após a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque rapidamente afetasse o Canadá. O colapso econômico canadense é considerado o segundo mais acentuado da Grande Depressão, atrás somente do colapso da economia do próprio Estados Unidos da América.

A economia do Canadá também dependia da exportação de certos produtos industrializados tais como automóveis. Com a Grande Depressão, as exportações canadenses aos Estados Unidos caíram drasticamente. O colapso dos preços do trigo fizeram com que muitos fazendeiros canadense endividassem-se pesadamente. Os fazendeiros no Alberta e no Saskatchewan sofreram, além disso, com grandes períodos de seca e de constante ataque de pragas tais como enxames de gafanhotos. A queda na produção industrial canadense, por sua vez, significou a demissão de grandes quantidades de trabalhadores.

A economia do Canadá tinha algumas vantagens sobre outros países, especialmente seu sistema bancário extremamente estável. Antes e ao longo da Grande Depressão, apenas um único estabelecimento bancário canadense faliu, em comparação aos nove mil que faliram somente ao longo da Grande Depressão. A economia do Canadá foi atingida duramente pela Grande Depressão primariamente por causa de sua dependência em relação ao trigo e produtos industrializados, mas também por causa da dependência da economia do canadense em relação às exportações de produtos canadenses para os Estados Unidos. A primeira reação de vários países, incluindo os Estados Unidos, quando a Grande Depressão teve início, foi de aumentar impostos. Isto causou mais danos à economia do Canadá do que para outros países no mundo.

Richard Bedford Bennett, que atuou como Primeiro-ministro do Canadá entre 1930 e 1935, tentou minimizar os efeitos da Grande Depressão no país, inclusive, através da introdução de uma New Deal semelhante aos dos Estados Unidos, implementado em 1934. Porém, a economia do país continuou somente passou a recuperar-se muito lentamente a partir de 1934.

Em 1933, 30% da força de trabalho canadense estava desempregado, deflação ocorreu, reduzindo salários e preços de produtos e reduziu investimentos. Em 1932, a produção industrial canadense havia caído para 58%, em relação à produção industrial em 1929. Enquanto isto, o PIB canadense havia caído em cerca de 42%, em relação ao PIB do país em 1929. Apesar de ter passado por um período de curto e pequeno crescimento econômico entre 1934 e 1937 – que de longe fora suficiente para atenuar os efeitos causados pela Depressão – a economia do Canadá entrou novamente em uma grande recessão em 1937. Foi somente com a entrada do país na Segunda Guerra Mundial, em 1939, que os efeitos da Grande Depressão teriam fim no país.

[editar] Reino Unido

O Reino Unido saiu-se vencedor na Primeira Guerra Mundial. Porém, a guerra e a destruição causada pela última destruíram a economia britânica. Desde 1921, a economia do Reino Unido lentamente recuperou-se da guerra, e da recessão causada por esta. Mas em abril de 1925, o chancellor britânico Winston Churchill, respondendo a um conselho do Banco da Inglaterra, fixou o valor da moeda nacional ao padrão-ouro, à taxa pré-guerra, de 4,86 dólares. Isto fez o valor da moeda britânica convertível ao seu valor em ouro, mas causou também o encarecimento dos produtos exportados pelo Reino Unido a outros países. A recuperação econômica do Reino Unido caiu drasticamente, o que causou redução de salários no país inteiro, debilitando a economia nacional.

Quando a Grande Depressão teve início nos Estados Unidos, em 1929, diversos países no mundo inteiro criaram ou aumentaram tarifas alfandegárias, o que causou uma grande diminuição nas exportações de produtos britânicos. A taxa de desemprego saltou de 8% para 20% no final de 1930. O Reino Unido cortou gastos públicos – que incluíram fundos dados para programas de ajuda social aos desempregados. Em 1931, mais cortes em salários e programas de ajuda social foram realizadas, e o imposto de renda nacional, foi aumentado. Estas medidas somente pioraram a situação socio-econômica do país, e em 1932, ápice da Grande Depressão no Reino Unido, as taxas de desemprego eram de 25%. Foi somente com o abandono do padrão-ouro e a instalação de tarifas alfandegárias para produtos importados de qualquer país que não fossem parte do Império Britânico, que a economia britânica passou a gradualmente recuperar-se.

[editar] Alemanha

Ver artigos principais: República de Weimar, Nazismo.

A Alemanha foi derrotada pela Tríplice Entente na Primeira Guerra Mundial. A Entente cobrou pesadas indenizações de guerra por parte dos alemães – que em dólares americanos atuais seriam da ordem dos trilhões de dólares – entre outras pesadas punições impostas pelo Tratado de Versalhes. Começa então o perído da história alemã chamado por historiadores como República de Weimar. Os anos da década de 1920 foram caracterizadas por massiva inflação em 1923 e o grande aumento da dívida externa do país entre 1925 e 1930.

Quando a Grande Depressão teve início em 1929, o governo alemão acreditou que cortes em gastos públicos iriam estimular o crescimento econômico do país, assim cortando drasticamente gastos estatais, incluindo no setor social. O governo alemão esperava e acreditava que a recessão, inicialmente, iria deteriorar a Alemanha socio-economicamente, esperando com o tempo, porém, a melhoria da estrutura socio-econômica do país, sem intervenção do governo. A República de Weimar cortou completamente todos os fundos públicos ao programa de ajuda social para desempregados – o que resultou em maiores contribuições pelos trabalhadores e menores benefícios aos desempregados – entre outros cortes no setor social. Quando a recessão chegou ao seu auge em 1932, a República de Weimar perdera toda sua credibilidade junto à população alemã, fator que facilitou a ascenção do nazista Adolf Hitler no governo do país, em 1933, marcando o fim da República de Weimar e o início de um breve e ilusório período de crescimento da economia alemã, conhecido como III Reich.

[editar] Outros países

Na França, a Grande Depressão atingiu o país um pouco mais tardiamente do que outros países, em torno de 1931. Como o Reino Unido, a França estava ainda recuperando-se da Primeira Guerra Mundial, tentando sem muito sucesso recuperar os pagamentos que possuía direito da Alemanha. Isto levou à ocupação do Ruhr por forças francesas no início da década de 1920. A ocupação francesa do Ruhr não fez com que a Alemanha retomasse os seus pagamentos, levando à implementação do Plano Dawes em 1924, e do Plano Young em 1929. Porém, a Grande Depressão teve drásticos efeitos na economia local, e explica em parte os motins de 6 de fevereiro de 1934 e a formação da Frente Popular, liderada pelo socialista Léon Blum, que venceu as eleições de 1936.

Por causa da Grande Depressão, o comércio internacional de produtos caiu drasticamente. A Austrália, que dependia da exportação de trigo e algodão, foi um dos países mais severamente atingidos pela Depressão no Mundo Ocidental. A taxa de desemprego alcançou um recorde de 29% em 1932, uma das mais altas do mundo até os dias atuais. As exportações de produtos agrários e minérios, tais como café, trigo e cobre, de países da América Latina, caiu de 1,2 bilhão de dólares em 1930 para 335 milhões de dólares em 1933, aumentando para 660 milhões de dólares em 1940. Os efeitos da crise fizeram com que em alguns destes países, muitos agricultores passassem a investir seu capital na manufatura, causando a industrialização destes países, em especial, a Argentina e o Brasil.

A Ásia também foi afetada negativamente com a Grande Depressão, por causa da dependência da economia de diversos países asiáticos em relação à exportação de produtos agrários à Europa e à América do Norte. O comércio internacional asiático caiu drasticamente, à medida em que os Estados Unidos e a Europa foram cercadas pela recessão. Instalações comerciais e industriais asiáticas responderam através de demissões e redução nos salários. O PIB do Japão, com uma base industrial em crescimento, sofreu uma queda de 8% entre 1929 e 1930. As taxas de desemprego e de pobreza cresceram drasticamente, afetando desproporcionalmente as classes inferiores. Esta foi uma das causas da ascenção do nacionalismo japonês. O Japão recuperou-se da crise em 1932.
A vida durante a Grande Depressão=A maior parte da população dos países mais afetados pela Grande Depressão cortaram todo e qualquer tipo de gasto considerado supérfluo, agravando os efeitos da recessão na economia destes países.

Por causa da Grande Depressão, milhões de pessoas nas cidades perderam seus empregos, nos países mais atingidos pela recessão. Sem fonte de renda, estas pessoas não tinham mais como sustentar-se a si próprios e suas famílias. A maioria das residências destas famílias, por sua vez, eram alugadas ou, ainda estavam sendo pagas através de prestações. Como consequência, milhares de famílias eventualmente foram expulsas de suas residências, por não terem como pagar os aluguéis ou as prestações de sua casa. Além disso, o desemprego fez com que a subnutrição tornasse-se comum entre a população dos países mais atingidos. Milhares de pessoas morreram por causa da subnutrição.

Algumas pessoas e famílias sem fonte de renda mudaram-se para a residência de parentes, quando perdiam suas residências. A maioria destas famílias, porém, instalaram-se em favelas. Abrigos rústicos feitos com telas de metais, madeira e papelão tornaram-se comuns em áreas vadias das grandes cidades dos países mais atingidos. As condições de vida nestas favelas eram precárias.

A indústria agropecuária de diversos países – especialmente os Estados Unidos e o Canadá – foi duramente atingida pela Grande Depressão. Nos Estados Unidos, muitos fazendeiros endividaram-se pesadamente, e vários foram forçados a cederem suas terras para instituições bancárias. Na Califórnia, no centro-norte dos Estados Unidos e no centro-oeste do Canadá, grandes períodos de seca, invernos rigorosos e pestes agravaram a recessão econômica já existente nestas regiões. Muitos dos jovens das áreas rurais abandonaram suas fazendas e suas famílias, e buscaram a sorte nas cidades. Estas pessoas, juntamente com muitas das pessoas desempregadas nas cidades, viajavam de cidade a cidade, pegando carona em trens de carga, em busca de emprego. Esta foi uma cena muito comum nos Estados Unidos e no Canadá.

Os chefes de estado e outras pessoas importantes dos países atingidos passaram a ser frequentemente considerados diretamente culpados pelo início da Grande Depressão por muito da população atingida pela recessão. As favelas dos Estados Unidos foram apelidadas de Hoovervilles, em uma sátira da população americana ao presidente Herbert Hoover. No Canadá, muitos donos de automóveis apelidaram seus veículos de Bennett Buggies – Carroças Bennett – em uma sátira ao Primeiro-Ministro Richard Bennett. Isto porque estas pessoas não tinham como adquirir o combustível necessário para abastecer seus veículos, ou cortaram a compra de combustível por considerarem um gasto supérfluo. Estes veículos passaram a serem usados como carroças, puxados por cavalos ou outros equinos.

Nem todos as pessoas sofreram igualmente com a Grande Depressão. Paras pessoas que conseguiram manter seus empregos os países mais afetados pela recessão, ou que dispunham de uma poupança considerável, o padrão de vida não mudou muito. Apesar que muitos trabalhadores sofreram de cortes consideráveis em seus salários, a deflação fez com que os preços de produtos em geral caísse drasticamente. Ao longo da Grande Depressão, os preços da maioria dos produtos de consumo manteve-se muito baixo nos países mais afetados.

Por outro lado, muitos afro-americanos nos Estados Unidos não conseguiam emprego, especialmente no sul americano, por causa de discriminação racial. Empregos eram dados primariamente aos brancos. Por isto, em todo os Estados Unidos, a taxa de desemprego entre a população afro-americana foi muito maior do que o da população branca. Mulheres com famílias para sustentar também dificilmente encontravam empregos, uma vez que a prioridade era dada para trabalhadores do sexo masculino, e que a discriminação contra mulheres trabalhadoras aumentou.

Grupos étnicos minoritários – especialmente imigrantes – dos países mais atingidos passaram a serem discriminados por muito da população dos países mais afetados. Estes grupos étnicos eram discriminados porque, na visão de várias pessoas dos países afetados pela Grande Depressão, estes grupos étnicos competiam com a “população nativa” dos países atingidos por empregos. Isto, aliado à forte recessão econômica da década de 1930, fez com que as taxas de imigração caíssem sensivelmente no Canadá e nos Estados Unidos.

[editar] Legado

Após o fim da Grande Depressão, muitos dos países mais severamente atingidos passaram a fornecer maior assistência social e econômica aos necessitados. Por exemplo, o New Deal dava ao governo americano maior poder para fornecer esta ajuda para estes necessitados, bem como para aposentados.

A Grande Depressão gerou grandes mudanças na política econômica em vários dos países envolvidos. Anteriormente à Grande Depressão, por exemplo, o governo dos Estados Unidos da América pouco intervinha na economia do país. Executivos financeiros e grandes magnatas comerciantes eram vistos como líderes nacionais. A Grande Depressão, porém, mudou as atitudes de diversas pessoas em relação ao comércio. Muitos passaram a favorecer maior controle da economia do país por parte do governo. Outras grupos, mais extremistas, favoreciam a instalação de um regime comunista de governo.

se isso não for o APOCALIPSE, sem duvida é início

Posted in ECONOMIA com as tags on Outubro 9, 2008 by dell22

LoomingFed.jpgA crise financeira não acabou. E tampouco devoluções de dinheiro de impostos, taxas de juros mais baixas e taxas de câmbio maiores ou menores conseguirão reativar uma economia flagelada por dívidas monstruosas. Ao contrário: as medidas políticas que as autoridades americanas vêm implementando irão apenas prolongar a agonia. Todos devemos estar preparados para os desafios que uma baderna financeira e uma estagnação econômica irão gerar.

No início desse ano, o banco central americano decidiu gerenciar a crise das dívidas hipotecárias baseando-se na alegre crença de que alguns cortes agressivos na taxa básica de juros iriam “descongelar” o sistema bancário. Entretanto, datando do terceiro trimestre de 2008, as artérias do sistema financeiro ainda estão entupidas, e o colapso total está cada vez mais perto.

Os bancos e corretoras que ainda não quebraram têm sido mantidos vivos por transfusões monetárias de emergência feitas pelo banco central americano. O Fed já abandonou qualquer resquício de racionalidade econômica e passou a agir de modo puramente político. Sua diretoria assumiu abertamente o objetivo de conduzir todo o sistema financeiro, pensando que assim irá livrá-lo da bagunça – pelo menos até o fim do ano, não importa o quão alto os custos estarão dali pra frente.

O banco central americano adotou uma tática financeira equivalente à estratégia militar da ‘terra arrasada’ [que é quando se queima uma área com o intuito de não deixar recursos de sobrevivência para o inimigo invasor]. A filosofia econômica do atual presidente do Fed, Ben Bernanke, pode ser resumida no slogan “Depressões são inadmissíveis sob meu comando!”. Ele parece o líder militar que teimosamente declara que “Derrotas são inadmissíveis sob meu comando!” ao mesmo tempo em que as chances de vitória vão se esvaindo e a derrota não mais pode ser negada.

O atual desastre econômico é o resultado de uma combinação de negligência, excesso de confiança e uma teoria econômica desastrosa. Durante décadas, as políticas fiscais e monetárias foram praticadas baseando-se na ilusão do “não importa”. Primeiro veio a ilusão de que “déficits não importam”. Depois, a política do “não importa” se estendeu para a criação monetária, para a expansão do crédito, para a bolha da bolsa de valores e para o boom imobiliário. Agora, já estão dizendo que a compra que o banco central está fazendo de títulos podres, com o intuito de amparar bancos e corretoras, também não importa.

Como subproduto dessa negligente política monetária e econômica, os operadores do mercado financeiro também perderam a cabeça. Confiando em seus chefes de torcida (o governo), os investidores irão se segurar em suas fossas até perderem o último fio de suas camisas. A debilidade econômica já está se espalhando pelo globo. Não há qualquer sinal de crescimento econômico à vista. Entretanto, muitos investidores mantêm suas posições, pois já ficaram condicionados a acreditar que o governo irá sempre salvá-los.

A atual crise financeira não é de natureza cíclica. A baderna financeira é o sintoma de desequilíbrios estruturais na economia real. Por décadas, políticas monetárias expansionistas andaram lado a lado com garantias implícitas e explícitas de socorros financeiros por parte do governo americano, e isso distorce todo o processo de alocação de capital. Sob tais depravadas condições, só vão lucrar mais aqueles que não possuírem qualquer vestígio de prudência. E esse é um jogo que pode perdurar por um bom tempo – até o momento em que a racionalidade se tornar sistêmica.

E o comportamento da comunidade investidora reflete a estrutura de incentivos que foi criada pelas autoridades. Os investidores aprenderam a dançar conforme o som emitido pelos sarapintados em posições influentes. Afinal, o participante individual do mercado podia ver como aqueles que haviam abandonado a prudência estavam ganhando dinheiro. Como conseqüência, as financeiras estenderam seu crédito além do usual e agora precisam sofrer uma desalavancagem. Contudo, o problema está é no desequilíbrio da economia real.

Na teoria austríaca dos ciclos econômicos, faz-se uma distinção entre a depressão “primária” e a depressão “secundária”. A depressão secundária é aquela que chama atenção: a desordem nos mercados financeiros. Entretanto, a causa fundamental desta é a distorção da estrutura do capital da economia – que é a depressão primária.

O fato é que a economia americana está sobrecarregada por uma estrutura de capital altamente desequilibrada, conseqüência de uma enorme discrepância entre consumo e produção. E essa discrepância, por sua vez, é resultado da política monetária. Uma balança comercial persistentemente deficitária é o sintoma dessa discrepância. Isso significa que taxas de juros menores e incentivos do governo voltados para estimular o consumo irão funcionar como um verdadeiro veneno para a economia americana. Ao invés de mais consumo, são necessários menos consumo, mais poupança e menos importações.

A atual crise financeira significa que muitos devedores atingiram seu limite de endividamento e também que os credores estão diminuindo esse limite. De agora em diante, empresas e consumidores, governos e investidores terão de trabalhar sob as restrições impostas por um teto de endividamento menor.

A política econômica da maneira como é atualmente praticada está numa encrenca: taxas de juros mais baixas podem ajudar temporariamente a aliviar a crise financeira, mas vão exacerbar os fundamentos que são a causa dessa crise financeira. Assim, um dólar mais fraco (conseqüência dos juros menores) tornaria as importações mais caras para os americanos, enquanto que um dólar mais forte (caso os juros aumentem) torna as importações mais baratas. Mas, ao passo que um dólar mais fraco ajudaria a expandir as exportações, um dólar mais forte impede que as exportações cresçam. Portanto, os EUA continuarão tendo altos déficits comerciais enquanto a economia não cair em uma recessão mais profunda.

Sem uma adaptação que leve a um aumento da poupança, a um decréscimo do consumo e a uma redução das importações, a economia americana prosseguirá seu curso tradicional, acumulando ainda mais dívida. Mas o limite para a expansão do endividamento já foi atingido. A crise financeira reduziu a disposição dos credores domésticos e estrangeiros em estender seus empréstimos.

Os credores estrangeiros já estão se preparando para reduzir, de maneira ainda mais drástica, suas posses de títulos da dívida americana. A encampação feita pelo governo das agências Fannie Mae e Freddie Mac salvou as autoridades monetárias da China, do Japão, da Rússia e de outros países que possuíam títulos dessas agências. Como resultado da socialização dessas empresas apadrinhadas pelo governo, o Tesouro abriu uma janela de oportunidade para que esses países se desfizessem de seus ativos americanos a preços subsidiados, tudo sendo pago pelo contribuinte americano.

Uma profunda reestruturação do capital global se tornou inevitável. Tal processo é bem diferente de uma recessão no sentido tradicional. Contrariamente a uma recessão profunda, porém de vida curta, quando, após seu término, os negócios usuais e a rotina continuam normalmente, a reestruturação de uma economia cuja estrutura do capital está completamente distorcida irá levar um bom tempo. O reequilíbrio da estrutura do capital de uma economia requer um trabalho de empreendedorismo duradouro, gradativo e específico. E isso só pode ser realizado sob a orientação daquele processo de descoberta típico de um ambiente concorrencial, processo esse que é inerente ao funcionamento do sistema de preços em um mercado desobstruído.

Políticas monetárias e fiscais anti-cíclicas não são de qualquer ajuda quando se considera a labuta diária dos negócios e seu trabalho em direção ao restabelecimento de uma estrutura equilibrada do capital. O chamado multiplicador da renda não vai funcionar, bem como taxas de juros menores não irão estimular o gasto. Ao contrário: essas medidas políticas somente irão tornar a tarefa do empreendedor ainda mais difícil.

As dificuldades à frente surgem do fato de que os negócios comuns não podem seguir adiante sob um ambiente de contração de crédito, que tem suas raízes nas distorções da estrutura do capital da economia. Assim, mesmo que toda a baderna do mercado financeiro seja resolvida, não haverá uma simples ressurreição do velho jeito de se fazer negócios. A crença de que após o término da crise financeira a economia real irá ressurgir incólume é provavelmente o maior erro que muitos investidores compartilham com as autoridades políticas.

Como resultado dos socorros financeiros e da nacionalização das agências de hipoteca, o sistema financeiro está hoje totalmente infectado de risco moral. Os efeitos desastrosos dessas intervenções governamentais irão aparecer logo. A grande tarefa de colocar em ordem a estrutura do capital ainda não começou e, por isso, ainda haverá muito mais dor à frente.

Enquanto os governos e os bancos centrais continuarem concentrados nos sintomas monetários da “depressão secundária” e continuarem ignorando os aspectos estruturais da “depressão primária”, estarão agindo como meros curandeiros charlatães. Ignorantes das lições da Escola Austríaca, as autoridades provavelmente irão continuar com suas desastrosas políticas.

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