O grau de investimento concedido ao Brasil na quarta-feira (30 de abril) pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s foi um “reconhecimento do importante progresso alcançado em gestão macroeconômica e da melhora substancial nas proporções de solvência externa”, diz reportagem desta sexta-feira no site da revista britânica de economia “The Economist”.
“A luta pelo grau de investimento foi tão longa e cheia de dificuldades que os mercados financeiros foram tomados, de certa forma, de surpresa quando a Standard & Poor’s elevou a nota de crédito de BB+ para BBB-”, diz a reportagem “Alcançando a nota”, da revista britânica. “Embora alguns investidores achassem que a nota já deveria ter sido elevada há mais tempo, poucos acreditavam que isso acontecesse antes do fim do ano, devido à atual incerteza global.”
Entenda o que é “rating” ou nota de risco
“A elevação da Standard & Poor’s é um forte voto de confiança e um marco na história econômica do Brasil, após anos de falta de confiança após o calote da dívida em 1987″, diz a reportagem. Mesmo assim, e apesar de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sido amplamente elogiado pelos avanços na economia, parte das melhorias refletiram “o ambiente externo extremamente positivo até o ano passado”. “A crise dos ’subprime’ [créditos de risco] nos EUA e a turbulência financeira que a seguiu colocaram á prova a resistência da economia do Brasil. Embora possa vir a sofrer uma queda se as condições globais piorarem, a S&P diz que o Brasil passou no teste.”
Com a nota, o Brasil poderá receber recursos de grandes fundos internacionais que só têm autorização para investir em mercados que já conquistaram essa chancela de bom pagador.
Em seu comunicado, a S&P informou que a revisão do rating brasileiro reflete “a maturidade das instituições do Brasil e da política monetária” e “a melhoria das tendências de crescimento”. A S&P faz ressalvas em relação à dívida pública, que “permanece mais alta do que os outros países BBB”. Mesmo com essa ressalva, a agência pondera ainda que “um registro razoavelmente previsível de políticas pragmáticas de gestão fiscal e da dívida ameniza esse risco”.
O rating é uma opinião sobre a capacidade de um país ou uma empresa saldar seus compromissos financeiros. A avaliação é feita por empresas especializadas, as agências de classificação de risco, que emitem notas, expressas na forma de letras e sinais aritméticos, que apontam para o maior ou menor risco de ocorrência de um “default”, isto é, de suspensão de pagamentos.
Para publicar uma nota de risco de crédito, os especialistas dessas agências avaliam além da situação financeira de um país, as condições do mercado mundial e a opinião de especialistas da iniciativa privada, fontes oficiais e acadêmicas.
O rating é sempre aplicado a títulos de dívida de algum emissor. Se uma empresa quer captar recursos no mercado e oferece papéis que rendem juros a investidores, a agência prepara o “rating” desses títulos para que os potenciais compradores avaliem os riscos.
A consultoria EIU (Economist Intelligence Unit), no entanto, manteve a nota BB para o Brasil –pouco abaixo do nível de grau de investimento. Segundo o texto, “isso reflete um enfraquecimento na conta corrente e riscos a indicadores macroeconômicos-chave, dado o impacto de uma recessão nos EUA”. “Mesmo assim, o crescimento significativo do PIB e um declínio no fardo dos juros da dívida devem dar suporte (…) e uma elevação na nota do EIU é bem possível no médio prazo.”